Depressão pós-parto é real e precisa de acolhimento
- Carine Almeida
- 6 de jul. de 2025
- 2 min de leitura

A chegada de um bebê costuma ser cercada por expectativas de felicidade, plenitude e amor incondicional. Mas, para muitas mulheres, o puerpério é atravessado por sentimentos ambíguos, angústias e até um profundo sofrimento emocional. A depressão pós-parto é uma condição real, séria e mais comum do que se imagina, porém, ainda é cercada por silêncio, culpa e julgamentos.
Reconhecer a existência da depressão pós-parto é o primeiro passo para oferecer o cuidado que a mãe realmente precisa. Esse não é um sinal de fraqueza ou de “falta de amor” pelo bebê, mas sim uma condição psíquica que pode surgir a partir de intensas transformações físicas, hormonais, emocionais e sociais que envolvem a maternidade.
O que é depressão pós-parto?
A depressão pós-parto é um transtorno de humor que pode se manifestar nas primeiras semanas ou meses após o nascimento do bebê. Diferente do "baby blues", um estado transitório de tristeza e oscilação emocional que atinge cerca de 80% das puérperas, a depressão é mais intensa, duradoura e incapacitante.
Os sintomas mais comuns incluem:
Tristeza persistente e sensação de vazio
Choro frequente, sem motivo aparente
Irritabilidade, cansaço extremo e desânimo
Dificuldade de criar vínculo com o bebê
Medos exagerados e sensação de incompetência
Alterações no sono e apetite
Pensamentos de culpa ou inadequação
Em casos mais graves, ideias de morte ou de que o bebê estaria melhor sem a mãe
Como lidar com a depressão pós-parto?
O primeiro passo é romper o silêncio e pedir ajuda. Muitas mulheres não falam sobre o que sentem por medo de serem julgadas, de parecerem ingratas ou de decepcionarem aqueles ao redor. Mas é importante lembrar: você não está sozinha e não precisa dar conta de tudo sozinha.
O acompanhamento psicológico especializado pode ajudar a mulher a:
Elaborar as transformações psíquicas da maternidade
Identificar e nomear os sentimentos e sofrimentos
Fortalecer sua rede de apoio
Cuidar da relação com o bebê e com ela mesma
Recuperar sua autonomia emocional no tempo que for necessário
O acolhimento faz toda a diferença
Como Psicóloga, recebo diariamente mães que chegam fragilizadas, esgotadas e confusas, sem saber se o que estão sentindo é "normal". Aqui, ofereço um espaço de escuta sensível, sem julgamentos, onde é possível falar sobre a exaustão, o medo, o cansaço, o luto pela mulher que existia antes da maternidade e os desafios que acompanham essa nova fase.
Cuidar da saúde mental da mãe é também cuidar do bebê e da família como um todo. Nenhuma mulher deveria enfrentar o puerpério sozinha.





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